quinta-feira, 19 de junho de 2008

ATREVIMENTOS

Era um atrevimento,ele sabia,mas não se conteve.Atrás dele,em bicha,estava uma senhora ajoujada com dois sacos quase a romperem-se. Mas faltavam ainda coisas. Ao lado,perfilavam-se latas de comida para gatos. Pôs algumas no saco que lhe pareceu ainda aguentar mais um peso.
A senhora trata bem dos seus gatinhos. Mais vale alimentar os pobres animaizinhos do que muita gente que anda para aí. E olhou-o de cima a baixo,em jeito de o meter na companhia de tal gente.
Deu-lhe,ao atrevido, para continuar. Olhe que não será bem assim. Essa gente de que fala são pessoas, e se algumas não parecem,a culpa não será toda delas. Entretanto,estava chegando a sua vez. Como não tinha pressa e em tentativa de quebrar o azedume da senhora,convidou-a passar à frente,invocando a carga que levava.
Aceitou,um tanto contrafeita. Por duas vezes,deu mostras de querer voltar ao seu lugar,talvez por não estar disposta a alterar o conceito que tinha de tanta gente,onde,certamente,o incluiria.
Noutra ocasião, o atrevimento estava bem fundamentado. Olhe que não pode deixar aí o carrinho. Tocara,ao de leve,no tecido que lhe revestia o braço. O que ele foi fazer. Neste braço,só o meu marido é que toca,mais ninguém. Isto,para meio mundo ouvir. Peço muitas desculpas,mas o carrinho não é para ficar aí. Ficou e continuou a mimoseá-lo com aquela tirada,até desaparecer ao longe.

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