quinta-feira, 17 de julho de 2008

UM RICO ALVO

Não era ela a pianista que figura num quadro que muitos têm podido ver ao longo dos anos,por estar exposto em lugar público. Mas era notável a sua semelhança.
Lá estava o busto estrangulado,o loiro do cabelo,a saia a tapar os pés,o tronco forte.Faltava o piano,mas não os adornos. Os dedos quase se não viam,os pulsos iam pela mesma,o pescoço não destoava. Predominava o grosso. Pareciam correntes.
Um rico alvo para os amigos do alheio. Ela não dava sinais de preocupação. Seriam falsas as jóias? Ou talvez confiasse na força dos seus músculos. O meliante,coitado,devia sair-se mal do atrevimento,ficando,muito provavelmente,com um braço partido e com a cara amolgada.
Quando se levantou,mais se acentuou a solidez do reduto. Os atavios podiam ser de lei,mas à vista daquele forte,ninguém se atreveria a tomá-lo. Quando muito,passaria de largo,cheio de pena de não a aliviar.
E a pianista? Porque se estrangulara ela tanto? Porque escondera ela os pés e escancarara o busto? Ah estas modas poderosas,dominadoras,quase absolutas. E quem a elas não se submeta,tem de as ouvir.

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