segunda-feira, 1 de setembro de 2008

PASSAVA POR LÁ

Fora por aquela estação que ele ali chegara,lá para o cabo do mundo,muito longe dos seus. Atraía-o aquela estação. Era por ela que um dia,muito lá para diante,havia de regressar. E assim,volta não volta,sempre que podia,passava por lá.
E punha-se perto das plataformas,a olhar para aquelas estradas de ferro,para aquele emaranhado de linhas,a ver os comboios que chegavam,os comboios que partiam,as pessoas que embarcavam. E via-se uma delas,das que partiam. E chegava a invejar os que partiam. Queria ser um deles,mas não podia ser ainda,tinha de ter paciência. A culpa era dele. Do que se havia de ter lembrado? Ter posto pernas ao caminho,lá para o cabo do mundo.
Nos intervalos,na falta de comboios,a chegarem ou abalarem,percorria a grande estação,entrava aqui ,entrava ali,sentava-se,a ver,a ler os anúncios,as reduções das tarifas,nos fins de semana,que fora deles,eram um bocado puxadas. Os velhos,assim,já se atreviam a ir dar umas passeatas. Ele não se atrevia,pois tinha mais que fazer. Já perdia muito tempo naquelas visitas,que nada adiantavam. Passeava,assim, em sonhos,sempre era viajar.

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