sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

DO CÉU

Não estava sonhando, aquilo era mesmo um osso,que alguém acabara de lançar de uma janela. Há que tempos não dava com uma iguaria assim. Vinha mesmo a calhar. Era um cãozinho que estava passando um mau bocado,pois fora abandonado. Ele que se arranjasse e era o que ele andava fazendo.Observara em volta,receoso,temendo a concorrência. A coisa estava feia,era o salve-se quem puder. Ainda há dias não levara a melhor, por falta de forças. Até lhe custava lembrá-lo,pois saíra também muito doído,do corpo e de não sabia mais o quê.Estava mesmo a precisar de uma boa refeição e desta vez ela vinha-lhe do céu. Não se via competidor. Ainda assim,só tranquilizou quando se meteu no buraco da sua predilecção,um buraco limpo,fresquinho. Era ali que ele costumava pernoitar.Mas para aqui se ver,os saltos que teve de dar e os cuidados que teve de pôr para não largar o achado. Ficou exausto. Aproveitou para examinar melhor o pitéu. Era,na verdade, um belo osso,estava ele confirmando. A carne que ainda trazia. Um verdadeiro milagre. Que o milagre se repetisse,muitas e muitas vezes,ia implorando,enquanto os bons pedaços se sumiam lá bem para o seu estômago,que já estava a entrar em fase de autofagia.

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