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Do blogue OLHARES DA NATUREZA,por ARMANDO GASPAR
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
UM GRANDE FAVOR
Quando a guarda e cicerone do museu viu entrar o casal de visitantes deve ter respirado de alívio. Seriam eles que a iriam tirar de grande aflição,pois tinham cara disso.
Ainda mostrou isto e aquilo,mas não resistiu mais,e desabafou. Sabem,estou aqui muito ralada. É que a minha mãe está muito doente e sozinha lá em casa. Pode estar por lá a precisar de ajuda. Os senhores podiam,pois,fazer-me um grande favor. Ficavam aqui a tomar conta do museu,para eu a ir ver.
Pois,certamente,minha senhora,com muito gosto. Fique lá o tempo que for preciso. Foi o que ela quis ouvir,coitada,saindo logo a correr. E ali se ficou até ela voltar,bisbilhotando o que ainda se não tinha visto,felizmente,sem concorrência.
Ainda mostrou isto e aquilo,mas não resistiu mais,e desabafou. Sabem,estou aqui muito ralada. É que a minha mãe está muito doente e sozinha lá em casa. Pode estar por lá a precisar de ajuda. Os senhores podiam,pois,fazer-me um grande favor. Ficavam aqui a tomar conta do museu,para eu a ir ver.
Pois,certamente,minha senhora,com muito gosto. Fique lá o tempo que for preciso. Foi o que ela quis ouvir,coitada,saindo logo a correr. E ali se ficou até ela voltar,bisbilhotando o que ainda se não tinha visto,felizmente,sem concorrência.
CANA DE PESCA
Estava-se no fim do mês e o dinheirinho da magra reforma ainda só acenava,
mas lá muito ao longe,que mal se via. De maneira que ele se via obrigado a esgravatar onde lhe cheirasse haver coisa de préstimo. E,naquele início de tarde,calhou passar por um contentor,talvez um dos que mais surpresas costumava reservar.
Levantou a tampa e inspeccionou. Lá viu,mais uma vez,qualquer coisa de aproveitar. Mas os seus braços eram de fraco alcance,pelo que necessitava de uma cana de pesca.
Olhou em volta e descobriu-a. Tratava-se de uma estreita tábua com um forte prego bem ao alto,feito arpão. E foi simples.
E um grande marmelo viu,de novo,a luz do dia. Não estaria todo como devia ser,mas ele lá teria artes para recuperar coisa que se visse.
mas lá muito ao longe,que mal se via. De maneira que ele se via obrigado a esgravatar onde lhe cheirasse haver coisa de préstimo. E,naquele início de tarde,calhou passar por um contentor,talvez um dos que mais surpresas costumava reservar.
Levantou a tampa e inspeccionou. Lá viu,mais uma vez,qualquer coisa de aproveitar. Mas os seus braços eram de fraco alcance,pelo que necessitava de uma cana de pesca.
Olhou em volta e descobriu-a. Tratava-se de uma estreita tábua com um forte prego bem ao alto,feito arpão. E foi simples.
E um grande marmelo viu,de novo,a luz do dia. Não estaria todo como devia ser,mas ele lá teria artes para recuperar coisa que se visse.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
PRONTO PARA A PARTIDA
Já se sentiria muito próximo de ir desta para melhor,que, no seu caso,um caso já muito adiantado,era coisa garantida,ou por uma outra razão qualquer,que,
para,o efeito,tudo serve,o certo é que, daquela vez,fora mais comunicativo,revelando factos da sua longa e atribulada vida.
Vinha,desde há tempos,dormindo numa casa abandonada,não entrando pela porta da frente,pois estava entaipada,não se sabendo bem porquê,talvez pelas conveniências.
Quanto à comida,isso já se sabia. Era um dos convivas de uma sopa dos pobres. Para além do almocinho,ainda levava para a merenda,ou para a ceia,
consoante a fome que tivesse.
Tinha família,família muito chegada,mas era como se a não tivesse. Tratava-se de quatro filhos,que teriam lá a sua vida também encrencada,pelo que lhe agradeceriam que ele não lhes fosse bater à porta. Estaria ele,assim,pronto para a partida.
para,o efeito,tudo serve,o certo é que, daquela vez,fora mais comunicativo,revelando factos da sua longa e atribulada vida.
Vinha,desde há tempos,dormindo numa casa abandonada,não entrando pela porta da frente,pois estava entaipada,não se sabendo bem porquê,talvez pelas conveniências.
Quanto à comida,isso já se sabia. Era um dos convivas de uma sopa dos pobres. Para além do almocinho,ainda levava para a merenda,ou para a ceia,
consoante a fome que tivesse.
Tinha família,família muito chegada,mas era como se a não tivesse. Tratava-se de quatro filhos,que teriam lá a sua vida também encrencada,pelo que lhe agradeceriam que ele não lhes fosse bater à porta. Estaria ele,assim,pronto para a partida.
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