Foram seis longos meses em Newcastle Upon Tyne,condado de Northumberland,Reino Unido,mais pròpriamente,no Departamento de Solos,da Escola de Agricultura,da Universidade.
Foram seis estirados meses,numa cidade onde o Consul Eça de Queirós passara cerca de quatro anos,numa cidade "penetrada dum frio húmido",de que ele deu conta numa carta ao seu "querido Ramalho".
Foram seis dilatados meses,das nove às cinco,num laboratório,a procurar saber mais coisas sobre o potássio dos solos,na perspectiva das plantas,em que se incluíram períodos largos num gabinete de constante temperatura,que esta,como se sabe,é factor importante.
Foram seis valiosos meses,que quase não estiveram para acontecer,por via de um zeloso funcionário de alfândega,nada disposto a deixar um qualquer ir viver à custa do erário público,mas que lá acabou,mercê duma carta,por abrir a porta, com a séria advertência de uma visita à polícia,mal lá chegasse.
Mostrar mensagens com a etiqueta Por terras da Velha Albion. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Por terras da Velha Albion. Mostrar todas as mensagens
terça-feira, 10 de agosto de 2010
terça-feira, 3 de agosto de 2010
LINDO MENINO
Não se sabe o que é que o pobre do carneiro pensava das tropelias que lhe andavam a fazer. O que é certo é que durante meses,volta não volta,lá tinha de ir viajar ,mas regressava sempre,passado pouco tempo,a sua casa. Não eram longas as ausências,valia-lhe isso.
A coisa começou assim. Estava ele um dia,muito sossegado,aliás,como até ali,a deleitar-se com a tenra erva lá do prado,em companhia da família,quando lhe apareceu um sujeito que nunca tinha visto a olhar muito para ele. Já dera conta de ele andar ali às voltas,mas não lhe ligara muito. Mas desta vez,teve de o encarar,pois ele tocara-lhe.
O moço,pois aquele sujeito era muito mais novo do que os outros que ele via todos os dias,vestia uma bata branca. E sem mais nem menos,deu ordem para que o levassem para um carro. E ali vai ele, bem amarrado,para um local desconhecido. Lá chegado,conduziram-no a uma espécie de hospital,onde lhe fizeram não sabe ele o quê. Não teve dores,apenas uma ligeira impressão. Pareceu-lhe ter ficado com um buraco nas costelas.
Mas o que é que ele havia de fazer,se ninguém lhe acudiu,nem os tais que ele julgava serem seus protectores? Não sabe explicar o que sentia quando o levavam para aquele casarão. Porém,nunca lhe passou pela cabeça fugir. É que o diabo do moço,tal como outros que ele foi trazendo,um de cada vez,para o ajudar,tratavam-no com carinho,fazendo-lhe muitas festas e chamando-lhe lindo menino.
Teve de se conformar,que remédio. Mas tudo isso era para seu bem,só que se esqueceram de lhe dizer.
A coisa começou assim. Estava ele um dia,muito sossegado,aliás,como até ali,a deleitar-se com a tenra erva lá do prado,em companhia da família,quando lhe apareceu um sujeito que nunca tinha visto a olhar muito para ele. Já dera conta de ele andar ali às voltas,mas não lhe ligara muito. Mas desta vez,teve de o encarar,pois ele tocara-lhe.
O moço,pois aquele sujeito era muito mais novo do que os outros que ele via todos os dias,vestia uma bata branca. E sem mais nem menos,deu ordem para que o levassem para um carro. E ali vai ele, bem amarrado,para um local desconhecido. Lá chegado,conduziram-no a uma espécie de hospital,onde lhe fizeram não sabe ele o quê. Não teve dores,apenas uma ligeira impressão. Pareceu-lhe ter ficado com um buraco nas costelas.
Mas o que é que ele havia de fazer,se ninguém lhe acudiu,nem os tais que ele julgava serem seus protectores? Não sabe explicar o que sentia quando o levavam para aquele casarão. Porém,nunca lhe passou pela cabeça fugir. É que o diabo do moço,tal como outros que ele foi trazendo,um de cada vez,para o ajudar,tratavam-no com carinho,fazendo-lhe muitas festas e chamando-lhe lindo menino.
Teve de se conformar,que remédio. Mas tudo isso era para seu bem,só que se esqueceram de lhe dizer.
Etiquetas:
Páginas de um caderno,
Por terras da Velha Albion
segunda-feira, 24 de maio de 2010
CANTOS DA CASA
Como é que se havia de lembrar,se tinha acabado de chegar? Sim,é isso,"washing powder". Coisas de quem ainda não conhecia os cantos da casa.
Etiquetas:
Meia dúzia de palavras,
Por terras da Velha Albion
sábado, 10 de abril de 2010
OS MAUS DA FITA
Olha o diabo dos corvos. Para o que lhes havia de dar. Viram-no ali sozinho e vá de nele se vingarem,atirando-se,vertiginosamente,em voo picado. É certo que não morria de amores por eles,sabe-se lá porquê,mas tinham errado o alvo. Não fora ele que dependurara os seus muitos irmãos,sem cabeça,ali expostos nos ramos das azinheiras. As cabeças serviam como prova,para um prémio. Diziam que davam conta das crias,de coelhos,de perdizes e demais familia. Esta disposição não seria só ali. Era capaz de estar muito generalizada. Uns bons anos passados,tivera ocasião de o testemunhar,em terra longínqua. Mostravam lá,com grande pormenor,os estragos que eles causavam. Eram os maus da fita.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
FRIO HÚMIDO
"Imagine V. uma cidade...penetrada dum frio húmido...",assim se referia Eça de Queirós a Newcastle Upon Tyne,onde permaneceu alguns anos,em carta de 1 de Fevereiro de 1874,para o seu"querido Ramalho",como vem em Vida e Obra de de Eça de Queirós,de Gaspar Simões.Imagina alguém o que ele deve ter suportado,pelo que esse alguém suportou durante seis escassos meses de 1965.Teve pouca sorte,pois não me lembro de um verão assim,dizia-lhe,contristado,como a pedir desculpa,um funcionário do sector de processamento de dados. De facto,mesmo em Julho e Agosto,as temperaturas não ultrapassaram os quinze graus,e a chuva,quase sempre do tipo molha-tolos,raramente deixou de cair.Quando chegou a altura,as pessoas foram para férias. As que não puderam comprar sol,rumando ao sul,tiveram de se contentar com aquilo que tinham,que era,apsar de tudo,muito.Nos campos,as culturas desenvolveram-se. As searas,de grande porte e densidade,alouraram,e as pastagens mantiveram-se verdes e pujantes. A lã era lustrosa e o leite gordo. Não se pode ter tudo.
Etiquetas:
Páginas de um caderno,
Por terras da Velha Albion
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
EMBOSCADAS
Coitado dele,que mal se tinha nas trôpegas pernas,que o muito alcool não deixava. Mas estava determinado. Queria visitar a catedral.
Venha daí que eu vou também. A vereda era estreita e um bocado acidentada,serpenteando por arvoredo denso. O rio também corria ali perto,e o céu borrifava.
Podia ter sido outro o encontro,mas calhou ser aquele. Talvez o dia tivesse afastado visitantes,
que o tempo não estava para se pôr a cabeça de fora,mesmo para os da casa. Estava antes para emboscadas,que a bruma mais facilitava.
Venha daí que eu vou também. A vereda era estreita e um bocado acidentada,serpenteando por arvoredo denso. O rio também corria ali perto,e o céu borrifava.
Podia ter sido outro o encontro,mas calhou ser aquele. Talvez o dia tivesse afastado visitantes,
que o tempo não estava para se pôr a cabeça de fora,mesmo para os da casa. Estava antes para emboscadas,que a bruma mais facilitava.
Etiquetas:
Páginas de um caderno,
Por terras da Velha Albion
domingo, 13 de dezembro de 2009
COR DE ROSA
Numa feira como aquela é que ele nunca tinha estado. Além do que é costume ver em qualquer feira,diversões,brinquedos,bugigangas,roupas,comes e bebes,expunham-se lá hortaliças a concurso,ideias religiosas e políticas,e vendia-se futuro.Das exposições,a que mais gente chamou foi,sem dúvida,a das hortaliças. Não foi isto uma grande novidade,pois já tinha reparado na profusão de estufas e de estufins que havia ali naquela terra. Aproveitavam a feira para que vissem quem conseguia as de maior tamanho.As das ideias estiveram quase sempre às moscas. Para as religiosas,ainda alguns se chegaram, enquanto lhes deram música,mas mal esta se calou,ficaram apenas umas velhinhas. Quanto às políticas,aquilo não passou de meras sessões de apupos e de assobios de meia dúzia de provocadores,ali mesmo nas barbas da polícia.Uma grande surpresa estava reservada para o futuro. Eram de respeito as bichas que por lá se formaram,junto a "roulottes"de luxo. Ali,o futuro devia ser cor de rosa.
Etiquetas:
Páginas de um caderno,
Por terras da Velha Albion
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
JORROS DE LUZ
Ia ficar uns meses e viera de longe. Oito andares,uma cave. Uma dezena de departamentos. Recebeu uma chave da porta da cave,para entrar sempre que o desejasse,à noite,de madrugada,nos domingos e feriados.
Há que trabalhar,aproveitando todas as horas,quando não se anda a passear. Assim,ali,o entendiam muitos a quem uma chave destas era entregue. Era isso bem visível à noite,em todos os altos edífícios que por ali se erguiam. Jorros de luz saíam deles,e o muito vidro denunciava o movimento que ia por lá.
Há que trabalhar,aproveitando todas as horas,quando não se anda a passear. Assim,ali,o entendiam muitos a quem uma chave destas era entregue. Era isso bem visível à noite,em todos os altos edífícios que por ali se erguiam. Jorros de luz saíam deles,e o muito vidro denunciava o movimento que ia por lá.
Etiquetas:
Páginas de um caderno,
Por terras da Velha Albion
domingo, 6 de setembro de 2009
MALDITA GUERRA
Não teria sido só aquele lago de muitos sonhos,que ali se desdobrava bem à
frente dela,que a levara a ter aquela triste lembrança. Teria contribuído mais o ser aquele com quem conversara de um país que o oeano banhava.
De um traiçoeiro submarino viera a morte para o seu muito jovem irmão. Nunca mais o vira. Ficara lá sepultado,em frente desse país. Maldita guerra.
frente dela,que a levara a ter aquela triste lembrança. Teria contribuído mais o ser aquele com quem conversara de um país que o oeano banhava.
De um traiçoeiro submarino viera a morte para o seu muito jovem irmão. Nunca mais o vira. Ficara lá sepultado,em frente desse país. Maldita guerra.
Etiquetas:
Páginas de um caderno,
Por terras da Velha Albion
TÚNEIS
Que rica ideia aquela,a de pôr ali aqueles túneis,com a luz bem à frente deles. E eram as vacas que se vinham sentar à mesa,pois a comida,a silagem,estava mesmo a jeito de a abocar.
As poupanças que se faziam. Nada de silos em altura,apenas uma cobertura de plástico,e,claro,os tratamentos devidos. Quando chegassem ao fim de um túnel,era só mudar para o outro ao lado.
As poupanças que se faziam. Nada de silos em altura,apenas uma cobertura de plástico,e,claro,os tratamentos devidos. Quando chegassem ao fim de um túnel,era só mudar para o outro ao lado.
Etiquetas:
Páginas de um caderno,
Por terras da Velha Albion
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
MAIS ALÉM
Coitado dele,sentado na melhor cadeira,de estofo menos rasgado,que ali os luxos eram outros,aí a meio da conversa,apanha com uma pergunta inesperada. E você acredita nisso? Fora isso que o trouxera ali um tanto mais acima. Lá respondeu como melhor sabia.
A pergunta tinha a sua razão. É que ali,onde agora estava,apenas de passagem,e em jeito de cortesia,já andavam lá mais por longe. Era o querer saber mais,era o procurar ir mais além.
A pergunta tinha a sua razão. É que ali,onde agora estava,apenas de passagem,e em jeito de cortesia,já andavam lá mais por longe. Era o querer saber mais,era o procurar ir mais além.
Etiquetas:
Páginas de um caderno,
Por terras da Velha Albion
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
TODA ROTA
Não era aquele um sítio qualquer,era mesmo um de alta excelência,um dos melhores do mundo no seu ramo de actividades. Quem ali trabalhava parecia estar interessado apenas no que estava a fazer.
Queriam eles lá saber de luxos,de mobiliário,de coisas assim. Contanto que não lhes faltasse o essencial,que eram livros e revistas das especialidades,e aparelhagem,o resto não interessaria ou interessaria pouco.
Assim,um que lá se deslocara para bisbilhotar,não teve outro remédio senão sentar-se numa cadeira toda rota,que uma ainda mais rota reservara-a o grande chefe para ele.
Queriam eles lá saber de luxos,de mobiliário,de coisas assim. Contanto que não lhes faltasse o essencial,que eram livros e revistas das especialidades,e aparelhagem,o resto não interessaria ou interessaria pouco.
Assim,um que lá se deslocara para bisbilhotar,não teve outro remédio senão sentar-se numa cadeira toda rota,que uma ainda mais rota reservara-a o grande chefe para ele.
Etiquetas:
Páginas de um caderno,
Por terras da Velha Albion
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
OS INADAPTADOS
Olha,aqui também há pobres. Coitado dele,ali sentado no chão da rua,a arranhar um violino,com um boné bem aberto,ali ao lado,para as moedas,que lá iam caindo,talvez num ritmo de que não estava gostando.
E aquele, a empurrar um carrinho de mão,meio desconjuntado,a abarrotar de trastes velhos? Coitado dele,também,que devia lá estar ainda em casa,que a neve estava caindo.
Parece impossível. Mas isto não são vidros,nas janelas. Isto são cartões,e já a romperem-se. Coitados deles,o frio que lá deve fazer dentro. Pois é,dizes bem. O pior é o resto.
E ali,naquela esquina,estão a ver? Uma menina,coitadinha,aí de uns dez anos,se tanto,mal vestidinha,a vender flores,ela que também era uma flor,de bonita que era,apsar de tudo.
Todos eles tinham um nome que os envolvia a todos. Eram os inadaptados,um lindo nome.
E aquele, a empurrar um carrinho de mão,meio desconjuntado,a abarrotar de trastes velhos? Coitado dele,também,que devia lá estar ainda em casa,que a neve estava caindo.
Parece impossível. Mas isto não são vidros,nas janelas. Isto são cartões,e já a romperem-se. Coitados deles,o frio que lá deve fazer dentro. Pois é,dizes bem. O pior é o resto.
E ali,naquela esquina,estão a ver? Uma menina,coitadinha,aí de uns dez anos,se tanto,mal vestidinha,a vender flores,ela que também era uma flor,de bonita que era,apsar de tudo.
Todos eles tinham um nome que os envolvia a todos. Eram os inadaptados,um lindo nome.
Etiquetas:
Páginas de um caderno,
Por terras da Velha Albion
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
CHEIOS DE RAZÃO
O moço,naquela noite de graus negativos,lá fora,claro,entrou, esbaforido,na sala de estar,como que fugindo de mil demónios. Vinha acompanhado de um parceiro de caçadas.
Oh homem,o que lhe aconteceu,para estar asim tão afogueado,com um tempo assim? Deixe-me cá. Se não nos refugiássemos aqui,eram capazes de dar conta de nós.É que eles são muitos,e embravecidos.
Estavam os perseguidores cheios de razão. É que aqueles dois passavam o seu riquinho tempo a palmar-lhes as garotas.
Oh homem,o que lhe aconteceu,para estar asim tão afogueado,com um tempo assim? Deixe-me cá. Se não nos refugiássemos aqui,eram capazes de dar conta de nós.É que eles são muitos,e embravecidos.
Estavam os perseguidores cheios de razão. É que aqueles dois passavam o seu riquinho tempo a palmar-lhes as garotas.
Etiquetas:
Páginas de um caderno,
Por terras da Velha Albion
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
CASA VULNERÁVEL
Necessidade a quanto obrigas. Era o que acontecia àquela boa senhora,que já merecia há muito ter alguém que a ajudasse na lida daquele casarão de rés-do-chão e primeiro andar. Mas isso ali era um luxo,só para gente muito rica,que não era o seu caso. Do marido não podia esperar muito,embora ele,às vezes,desse uma mãozinha. Já estava reformado,é certo,mas tinha lá os seus amigos,que não o dispensavam.
Para mais,vivendo ali sozinhos,em casa tão vulnerável,sobretudo,pelas traseiras,quáse um deserto de gente,tinham resolvido admitir hóspedes. É que podiam ser assaltados,e assim,tinham quem os ajudasse a enfrentar os larápios,pelo menos,à noite.
Depois,sempre eram uns dinheiritos que entravam,que bem precisados estavam,pois o cofre ficara quase vazio por terem de pagar as prestações da casa,de que,há pouco,se tinham livrado.
Fora um grande alívio,o que,a cada passo,mostravam. A casinha já era deles. Dera-lhes,talvez,mais energias,em particular a ela,que bem precisada estava pelo muito trabalho que tinha pela frente. O jeito que lhe fazia se pudesse ter ali uma empregada,como lá noutros países,em que era fácil arranjar uma. Mas paciência,não se podia ter tudo,e lá se conformava.
Para mais,vivendo ali sozinhos,em casa tão vulnerável,sobretudo,pelas traseiras,quáse um deserto de gente,tinham resolvido admitir hóspedes. É que podiam ser assaltados,e assim,tinham quem os ajudasse a enfrentar os larápios,pelo menos,à noite.
Depois,sempre eram uns dinheiritos que entravam,que bem precisados estavam,pois o cofre ficara quase vazio por terem de pagar as prestações da casa,de que,há pouco,se tinham livrado.
Fora um grande alívio,o que,a cada passo,mostravam. A casinha já era deles. Dera-lhes,talvez,mais energias,em particular a ela,que bem precisada estava pelo muito trabalho que tinha pela frente. O jeito que lhe fazia se pudesse ter ali uma empregada,como lá noutros países,em que era fácil arranjar uma. Mas paciência,não se podia ter tudo,e lá se conformava.
Etiquetas:
Páginas de um caderno,
Por terras da Velha Albion
sábado, 6 de dezembro de 2008
DE SENTINELA
O alojamento não tinha direito a roupa lavada. Cada um que se arranjasse. Lavandarias,de facto,não faltavam,com baterias de máquinas. Havendo dinheiro,ou não se estando para fazer economias,por se ser sovina ou por outro motivo qualquer,todos respeitáveis,era só procurar uma na esquina mais próxima.
É claro que tinha de se fazer tudo por si,pois não havia alternativa. Quando muito,uma indicação ou outra, para começar,vá que não vá,mas sem abusar. De resto,as instruções estavam ali bem à vista. Mas não era chegar ali e ser logo atendido,pois tinha de se ir para a bicha.
Chegada a vez,era só meter a moeda e carregar nos botões. E ali se ficava de sentinela,comodamente sentado numa cadeirinha,lendo o jornal ou fazendo outra coisa qualquer,como observar.
Acabada a fase da lavagem,seguia-se a de secagem,se ainda se estivesse para gastar mais uma moedinha,que a vida,para alguns,não era um mar de rosas. Aqui havia também uma espera,pois,no geral,só havia um secador. Nem sempre saía a roupa como se queria,vá-se lá saber porquê. Para completar,havia o quarto e a noite,ou o dia seguinte. Os que trabalhavam em laboratório ,e eram muito poupados,faziam o acabamento,ou mesmo a secagem completa,em estufas,aproveitando o fim de semana.
É claro que tinha de se fazer tudo por si,pois não havia alternativa. Quando muito,uma indicação ou outra, para começar,vá que não vá,mas sem abusar. De resto,as instruções estavam ali bem à vista. Mas não era chegar ali e ser logo atendido,pois tinha de se ir para a bicha.
Chegada a vez,era só meter a moeda e carregar nos botões. E ali se ficava de sentinela,comodamente sentado numa cadeirinha,lendo o jornal ou fazendo outra coisa qualquer,como observar.
Acabada a fase da lavagem,seguia-se a de secagem,se ainda se estivesse para gastar mais uma moedinha,que a vida,para alguns,não era um mar de rosas. Aqui havia também uma espera,pois,no geral,só havia um secador. Nem sempre saía a roupa como se queria,vá-se lá saber porquê. Para completar,havia o quarto e a noite,ou o dia seguinte. Os que trabalhavam em laboratório ,e eram muito poupados,faziam o acabamento,ou mesmo a secagem completa,em estufas,aproveitando o fim de semana.
Etiquetas:
Páginas de um caderno,
Por terras da Velha Albion
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
TUDO A EITO
O moço achava-se irresistível. Depois,estava na fase de o ir tudo a eito,não se importando com o estado civil da eleita de ocasião.
Na sequência dos seus apetites,coube a vez a uma jovem casada. Qualquer dia, está-me no papo,era o seu estribilho. Lá pensara que ela tinha para com ele especiais atenções. Nem reparara,na sua cegueira,ou lá o que era,que a jovem mostrava a mesma disposição para com todos ali da casa. Era a sua maneira de estar.
Aquilo não podia continuar assim,sob pena de haver sarilho,que o marido não era para brincadeiras. E assim,o casal mudou de poiso,para bem longe do conquistador sem emenda.
Na sequência dos seus apetites,coube a vez a uma jovem casada. Qualquer dia, está-me no papo,era o seu estribilho. Lá pensara que ela tinha para com ele especiais atenções. Nem reparara,na sua cegueira,ou lá o que era,que a jovem mostrava a mesma disposição para com todos ali da casa. Era a sua maneira de estar.
Aquilo não podia continuar assim,sob pena de haver sarilho,que o marido não era para brincadeiras. E assim,o casal mudou de poiso,para bem longe do conquistador sem emenda.
Etiquetas:
Páginas de um caderno,
Por terras da Velha Albion
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
MAIS A FRIO
Vem daí comigo.Não posso continuar mais aqui,nesta espelunca. E tu devias fazer o mesmo. Largamos o nosso dinheirinho, que não é nada pouco,e é sempre a mesma comida no prato. É um roubo.
Tenho aqui uma série de moradas,nalguma hei-de encontrar o que me convém. Bateu ali,bateu acolá,mas em vão. Nenhuma porta lhe agradou. Depois,mais a frio,reconsiderou. Tinha de ter paciência.
De facto,onde é que ele iria arranjar um poiso como aquele? Além de fazerem vista grossa,quando ele entrava, acompanhado, para o quarto,onde é que ele iria encontrar uma gerente como aquela,que tinha com ele intimidades como se fosse da família?
Tenho aqui uma série de moradas,nalguma hei-de encontrar o que me convém. Bateu ali,bateu acolá,mas em vão. Nenhuma porta lhe agradou. Depois,mais a frio,reconsiderou. Tinha de ter paciência.
De facto,onde é que ele iria arranjar um poiso como aquele? Além de fazerem vista grossa,quando ele entrava, acompanhado, para o quarto,onde é que ele iria encontrar uma gerente como aquela,que tinha com ele intimidades como se fosse da família?
Etiquetas:
Páginas de um caderno,
Por terras da Velha Albion
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
O RESTO
Ha uns dois ou três dias que o moço não aparecia. Tinha encontrado a companheira ideal. Os dotes que ela tinha. Além de rica,além da beleza,ainda sabia cozinhar. Oh homem,não a deixe fugir. Case-se já,pois a si também não lhe faltam dotes. Se o dinheiro dela não chegar,tem o seu,que também não é para deitar fora. Tinha conta aberta no banco,que o paizinho gostava muito do seu menino.
Pois era. O pior era o resto. É que ela,ainda há pouco lhe tinha dito,que,por enquanto,continuava a gostar dele. Era capaz de o trocar por outro,logo no dia a seguir ao casamento,ou,até,no mesmo. Ao tempo que isso foi. Não é,pois,de admirar o que vai hoje por aí.
Pois era. O pior era o resto. É que ela,ainda há pouco lhe tinha dito,que,por enquanto,continuava a gostar dele. Era capaz de o trocar por outro,logo no dia a seguir ao casamento,ou,até,no mesmo. Ao tempo que isso foi. Não é,pois,de admirar o que vai hoje por aí.
Etiquetas:
Páginas de um caderno,
Por terras da Velha Albion
FRIALDADE
Lá fora,estavam graus negativos,ai uns sete ou oito,e o quarto era uma água-furtada. Queria isto dizer que lá dentro seria um frigorífico se não houvesse lareira. Não havia. Em seu lugar,havia um calorífero,que funcionava com introdução de moedas. Não seria,portanto,um frigorífico se moedas não faltassem. Não faltavam,só que o sono dava em aparecer,e quem pagava era a cabeça que ficava de fora. Um turbante ou um barrete pouco adiantavam,pelo que,sempre que se acordava,lá se tinha de recorrer à pilha de moedas,ali mesmo ao lado. Era só deitar mão a uma e enfiá-la na ranhura. Também se dispunha de botija,para os pezinhos. Mas não era de fiar,pois,de vez em quando,lá derramava o conteúdo. Mas a frialade não se ficava por aqui. Saindo da toca,lá o esperava o gelado do chão da rua. Nunca se estatelou,vá-se lá saber porquê. Talvez aqui funcionasse um certo jeito para escapar às ratoeiras ou então, outra coisa qualquer. Tudo,afinal,vai do treino.
Etiquetas:
Páginas de um caderno,
Por terras da Velha Albion
Subscrever:
Mensagens (Atom)