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domingo, 12 de setembro de 2010
PÁGINA DE EÇA DE QUEIROZ SOBRE JÚLIO DINIS
Júlio Dinis amava a realidade:é a feição viril e valiosa do seu espírito....
sábado, 31 de julho de 2010
EÇA DE QUEIROZ E O BRASIL
"Eça de Queiroz nunca chegou a ir ao Brasil, mas, de uma ou outra forma, a sua vida sempre esteve ligada a este país. Desde a sua Ama nos primeiros anos da sua vida, até às suas colaborações com a Gazeta de Notícias e a Revista Moderna, passando pelos amigos brasileiros que encontrou em Londres e Paris, ou pelo impacte da sua obra no Brasil, tudo contribuiu para que, mesmo que não física, se criasse uma ligação indelével entre Eça, a sua obra e o Brasil.
A sua primeira ligação com o Brasil foi efectivamente a sua Ama, Ana Joaquina Leal de Barros, pernambucana. Mas na realidade, os laços com o Brasil já se podem encontrar antes do seu nascimento. Seus bisavós aí encontraram refúgio na época das lutas liberais, tendo seu avô paterno, Dr. Joaquim José de Queiroz e Almeida, nascido no Rio de Janeiro. Ainda no Brasil nasce também, em 1820, dois anos antes da independência, seu pai. Quando de lá voltaram, com eles trouxeram um casal de criados pretos, dando pelos nomes de Rosa e Mateus. Foram estes que mais tarde acarinharam Eça, e de quem este ouviu cantigas de embalar, mas também histórias misteriosas do Sertão."
...
In Fundação Eça de Queiroz - O Escritor,Eça e o Brasil
http://www.feq.pt/ecabrasil.aspx
A sua primeira ligação com o Brasil foi efectivamente a sua Ama, Ana Joaquina Leal de Barros, pernambucana. Mas na realidade, os laços com o Brasil já se podem encontrar antes do seu nascimento. Seus bisavós aí encontraram refúgio na época das lutas liberais, tendo seu avô paterno, Dr. Joaquim José de Queiroz e Almeida, nascido no Rio de Janeiro. Ainda no Brasil nasce também, em 1820, dois anos antes da independência, seu pai. Quando de lá voltaram, com eles trouxeram um casal de criados pretos, dando pelos nomes de Rosa e Mateus. Foram estes que mais tarde acarinharam Eça, e de quem este ouviu cantigas de embalar, mas também histórias misteriosas do Sertão."
...
In Fundação Eça de Queiroz - O Escritor,Eça e o Brasil
http://www.feq.pt/ecabrasil.aspx
domingo, 13 de junho de 2010
FREI GENEBRO
"Súbitamente, porêm, no alto, o prato negro oscilou como a um pêso
inesperado que sôbre êle caísse! E começou a descer, duro, temeroso,
fazendo uma sombra dolente através da celestial claridade. ¿Que Má Acção
de Genebro trazia êle, tam miuda que nem se avistava, tam pesada que
forçava o prato luminoso a subir, remontar ligeiramente como se a
montanha de Boas Acções, que nele transbordavam, fôssem um fumo
mentiroso? Oh! mágoa! oh! desesperança! Os Serafins recuavam, com as
asas trementes. Na alma de Frei Genebro correu um arrepio imenso de
terror. O negro prato descia, firme, inexorável, com as cordas retêsas.
E na região que se cavava sob os pés do Anjo, cinzenta, de inconsolável
tristeza, uma massa de sombra, molemente e sem rumor, arfou, cresceu,
rolou, como a onda duma maré devoradora.
O prato, mais triste que a noite, parára--parára em pavoroso equilíbrio
com o prato que rebrilhava. E os Serafins, Genebro, o Anjo que o
trouxera, descobriram, no fundo daquele prato que inutilizava um Santo,
um porco, um pobre porquinho com uma perna bárbaramente cortada,
arquejando, a morrer, numa pôça de sangue... O animal mutilado pesava
tanto na balança da justiça como a montanha luminosa de virtudes perfeitas!
Então, das alturas, surgiu uma vasta mão, abrindo os dedos que
faiscavam. Era a mão de Deus, a sua mão direita, que aparecera a Genebro
na escada de Santa Maria dos Anjos, e que agora supremamente se estendia
para o acolher ou para o repelir. Toda a luz e toda a sombra, desde o
Paraíso fulgente ao Purgatório crepuscular, se contraíram num
recolhimento de inexprimível amor e terror. E na estática mudez, a
vasta mão, através das alturas, lançou um gesto que repelia...
Então o Anjo, baixando a face compadecida, alargou os braços e deixou
caír, na escuridão do Purgatório, a alma de Frei Genebro."
Um excerto de
Frei Genebro
Contos
EÇA DE QUEIRÓS
Projecto Gutenberg
inesperado que sôbre êle caísse! E começou a descer, duro, temeroso,
fazendo uma sombra dolente através da celestial claridade. ¿Que Má Acção
de Genebro trazia êle, tam miuda que nem se avistava, tam pesada que
forçava o prato luminoso a subir, remontar ligeiramente como se a
montanha de Boas Acções, que nele transbordavam, fôssem um fumo
mentiroso? Oh! mágoa! oh! desesperança! Os Serafins recuavam, com as
asas trementes. Na alma de Frei Genebro correu um arrepio imenso de
terror. O negro prato descia, firme, inexorável, com as cordas retêsas.
E na região que se cavava sob os pés do Anjo, cinzenta, de inconsolável
tristeza, uma massa de sombra, molemente e sem rumor, arfou, cresceu,
rolou, como a onda duma maré devoradora.
O prato, mais triste que a noite, parára--parára em pavoroso equilíbrio
com o prato que rebrilhava. E os Serafins, Genebro, o Anjo que o
trouxera, descobriram, no fundo daquele prato que inutilizava um Santo,
um porco, um pobre porquinho com uma perna bárbaramente cortada,
arquejando, a morrer, numa pôça de sangue... O animal mutilado pesava
tanto na balança da justiça como a montanha luminosa de virtudes perfeitas!
Então, das alturas, surgiu uma vasta mão, abrindo os dedos que
faiscavam. Era a mão de Deus, a sua mão direita, que aparecera a Genebro
na escada de Santa Maria dos Anjos, e que agora supremamente se estendia
para o acolher ou para o repelir. Toda a luz e toda a sombra, desde o
Paraíso fulgente ao Purgatório crepuscular, se contraíram num
recolhimento de inexprimível amor e terror. E na estática mudez, a
vasta mão, através das alturas, lançou um gesto que repelia...
Então o Anjo, baixando a face compadecida, alargou os braços e deixou
caír, na escuridão do Purgatório, a alma de Frei Genebro."
Um excerto de
Frei Genebro
Contos
EÇA DE QUEIRÓS
Projecto Gutenberg
"SABEM VOCÊS QUEM ELLE ME LEMBRA?"
"...
-Pois eu tenho estudado muito o nosso amigo Gonçalo Mendes. E sabem vocês,sabe o Snr. Padre Soeiro quem elle me lembra?
-Quem?
-Talvez se riam. Mas eu sustento a semelhança. Aquelle todo do Gonçalo,a franqueza,a bondade,a imensa bondade,que notou o Snr. Padre Soeiro... Os fogachos e enthusiasmos,que acabam em fumo,e juntamente muita persistência,muito aferro quando se fila à sua ideia... A generosidade,o desleixo,a constante trapalhada nos negocios,e sentimentos de muita honra,uns escrupulos,quase pueris,não é verdade?... A imaginação que o leva sempre a exagerar até à mentira,e ao mesmo tempo um espirito pratico,sempre attento à realidade util. A viveza,a facilidade em comprehender,em apanhar... A esperança constante n'algum milagre d'Ourique,que sanará todas as difficuldades... A vaidade,o gosto de se arrebicar,de luzir,e uma simplicidade tão grande,que dá na rua o braço a um mendigo... Um fundo de melancolia,apsar de tão palrador,tão sociável. A desconfiança terrível de si mesmo,que o acobarda,o encolhe,até que um dia se decide,e apparece um heroe,que tudo arrasa...Até aquella antiguidade de raça,aqui pegada à sua velha Torre,ha mil annos... Até agora aquelle arranque para a Africa...Assim todo completo,com o bem,com o mal,sabem vocês quem elle me lembra?
-Quem?...
-Potugal.
...".
Um excerto,quase no remate,de A Illustre Casa de Ramires,de
EÇA DE QUEIROZ
Décima Primeira Edição
1941
-Pois eu tenho estudado muito o nosso amigo Gonçalo Mendes. E sabem vocês,sabe o Snr. Padre Soeiro quem elle me lembra?
-Quem?
-Talvez se riam. Mas eu sustento a semelhança. Aquelle todo do Gonçalo,a franqueza,a bondade,a imensa bondade,que notou o Snr. Padre Soeiro... Os fogachos e enthusiasmos,que acabam em fumo,e juntamente muita persistência,muito aferro quando se fila à sua ideia... A generosidade,o desleixo,a constante trapalhada nos negocios,e sentimentos de muita honra,uns escrupulos,quase pueris,não é verdade?... A imaginação que o leva sempre a exagerar até à mentira,e ao mesmo tempo um espirito pratico,sempre attento à realidade util. A viveza,a facilidade em comprehender,em apanhar... A esperança constante n'algum milagre d'Ourique,que sanará todas as difficuldades... A vaidade,o gosto de se arrebicar,de luzir,e uma simplicidade tão grande,que dá na rua o braço a um mendigo... Um fundo de melancolia,apsar de tão palrador,tão sociável. A desconfiança terrível de si mesmo,que o acobarda,o encolhe,até que um dia se decide,e apparece um heroe,que tudo arrasa...Até aquella antiguidade de raça,aqui pegada à sua velha Torre,ha mil annos... Até agora aquelle arranque para a Africa...Assim todo completo,com o bem,com o mal,sabem vocês quem elle me lembra?
-Quem?...
-Potugal.
...".
Um excerto,quase no remate,de A Illustre Casa de Ramires,de
EÇA DE QUEIROZ
Décima Primeira Edição
1941
domingo, 14 de março de 2010
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
ALVES & C.ª
Nessa manhã,Godofredo da Conceição Alves,encalmado,soprando por ter vindo do Terreiro do Paço a correr,abria o batente do baetão verde do seu escritório,na rua dos Douradores,quando o relógio da parede,por cima da carteira do guarda-livros,batia duas horas,naquele tom cavo a que os tectos baixos davam uma sonoridade dolente e triste....
De ALVES & C.ª
O MANDARIM
ALVES & C.ª
O CONDE DE ABRANHOS
EÇA DE QUEIROZ
Círculo de Leitores
1985
De ALVES & C.ª
O MANDARIM
ALVES & C.ª
O CONDE DE ABRANHOS
EÇA DE QUEIROZ
Círculo de Leitores
1985
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
sábado, 9 de janeiro de 2010
NÚMERO DE TÍTULOS DE EÇA DE QUEIRÓS EM QUATRO UNIVERSIDADES DOS EUA
24/3/2008
Harvard-187
Princeton-71
Stanford-68
Yale-114
9/1/2010
Harvard-202
Princeton-74
Stanford-72
Yale-127
Harvard-187
Princeton-71
Stanford-68
Yale-114
9/1/2010
Harvard-202
Princeton-74
Stanford-72
Yale-127
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
VERDE ERIN
"Outra história melancólica é a da Irlanda. Quem não conhece as queixas seculares da Irlanda,da Verde Erin,terra de bardos e terra de santos,onde uma plebe conquistada,resto nobre de raça céltica,esmagada por um feudalismo agrário,vivendo em buracos como os servos góticos,vai desesperadamente disputando à urze,à rocha,ao pântano,magras tiras de terra,onde cultiva em lágrimas a batata? Todo o mundo sabe isto - e,desgraçadamente,esta Irlanda de poema e de novela é,em parte,verdadeira : além dos poucos distritos onde a agricultura é rica como em qualquer dos ubérrimos condados ingleses,além de Cork ou Belfast,que têm uma indústria forte - a Irlanda permanece o país da miséria,bem representada nessa estampa romântica em que ela está,em andrajos,à beira de um charco,com o filhinho nos braços morrendo-lhe da falta de leite,e o cão ao lado,tão magro como ela,ladrando em vão por socorro..."
EÇA DE QUEIROZ
Cartas de Inglaterra e Crónicas de Londres
Edição "Livros do Brasil" Lisboa
EÇA DE QUEIROZ
Cartas de Inglaterra e Crónicas de Londres
Edição "Livros do Brasil" Lisboa
sábado, 22 de agosto de 2009
quinta-feira, 9 de julho de 2009
domingo, 7 de junho de 2009
sexta-feira, 29 de maio de 2009
quinta-feira, 28 de maio de 2009
segunda-feira, 11 de maio de 2009
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