No verão,o calor era de abrasar. Tinha sido sempre assim naquela terra. Os que nela teimavam em permanecer,ter-se-iam conformado. Quando mal ,nunca pior. Havia,de facto,casos piores,ora se havia.
Mas não seria de admirar que a alguns,se não a todos,tivesse brotado o desejo de verem ali,ou lá perto, uma praia,para se poderem refrescar. Bom jeito lhes faria,quando largassem o trabalho,ou quando não tivessem algo para fazer,o que deveria suceder muitas vezes.
Seria isto apenas um simples e inofensivo desejo,nada mais. Mas um desejo de todo justificado,sem qualquer dúvida. Teriam pensado,uma vez por outra,que talvez ele se pudesse satisfazer. Quem sabe? Acontece tanta coisa aparentemente impossivel.
E um dia,o que é que havia de suceder? Apareceu por lá um senhor de falinhas mansas,todo convincente,de muitas artes e manhas,a prometer-lhes uma. Era garantido. Poderiam ir já vendo-se banhar em frescas águas. Ele era um homem de muitos recursos,já postos à prova,com êxito,noutros cenários.
Para tal,bastava que nele confiassem e lhe dessem os votos. Assim fizeram,mas praia é que nunca lá viram.
Ter-se-ia isto passado? Parece que sim. É que ainda há pouco,por um mero acaso,alguém,de muita idade,lembrava uma quadra,ouvida bastas vezes quando por lá andara,que se fazia eco de tal promessa.
Olá Padrinho Gama! Desculpe, mas não consigo deixar de o tratar assim. São hábitos de infância... e agora bato-lhe à porta, agradecendo sinceramente as suas palavras, que até me deixam um pouco sem jeito... mas pronto, deixo a falta de jeito de lado, e tomo-as como um grande incentivo para continuar a despejar palavras algures por aí... e se me atribui a nobre condição de poeta, o padrinho não fica atrás de mim, com esse olhar sensível e ao mesmo tempo acutilante, consegue pespegar-nos a realidade na cara, com mais ou menos lirismo, com maior ou menor acutilância. Diga-se de passagem, tem uma grande vantagem sobre mim: os anos a mais. Aqueles aos quais se alcunha de velho, são uma mais valia preciosa e que faz toda a diferença, não se esqueça disso! E se os velhos escrevessem tanto (em qualidade e quantidade) como o padrinho, se calhar chegávamos a velhos muito mais tarde, não acha?
ResponderEliminarMuitos parabéns pela sua escrita e mais uma vez muito obrigada pelo elogio.
Um beijinho da Rita