sábado, 31 de outubro de 2009
NA CAUDA
Isto está impossível,não há pior. Estamos na cauda. Tem andado por muitos sítios, por tempos prolongados? Não,nem preciso. Basta ler os jornais,está lá tudo,não é preciso ir ver. Não há pior.
MUITA GATUNAGEM
A casa estava cheia,pelo que a espera seria grande para alguns. Deu isso para conversar. Está a chegar a minha vez. Dê-me o dinheiro que eu peço também para si. Não se incomode,pois tenho tempo de sobra. Mas é muita gentileza a sua,pelo que lhe fico muito agradecido.
O que é que ele queria? Ainda bem que não foi nessa,que anda para aí muita gatunagem. São uns atrevidos. Temos de nos precaver.
Desconfianças,ou sabe-se lá mais o quê? É o diabo. Como é que isto se há-de endireitar?
O que é que ele queria? Ainda bem que não foi nessa,que anda para aí muita gatunagem. São uns atrevidos. Temos de nos precaver.
Desconfianças,ou sabe-se lá mais o quê? É o diabo. Como é que isto se há-de endireitar?
UM PASSARINHO
Pode dizer-se que não era ele de nenhuma terra,mas também não era um cidadão do mundo,nem lhe acudira uma tal classificação. Fora como que encontrado,e isso não escondia ele,até parece que disso se orgulhava. Era como tivesse sido de espontânea geração. Tudo quanto conseguira a ele o devia. E sentia-se livre como um passarinho,pousando onde lhe apetecesse,desde que riscos não corresse.
COSTA DE CAPARICA
"A Costa de Caparica é um vasto areal batido das ondas(4,5 km),só areia e mar,
barcos com crescentos e alguns pescadores remendando as redes. Nem um penedo. Areia e céu,mar e céu. Dum lado o formidável paredão vermelho,a pique,desmaiando pouco a pouco,até morrer pelo mar dentro todo roxo,no cabo Espichel. Do outro o mar azul metendo-se ,num jorro enorme,pela ampla barra de Lisboa,deslumbrante e majestoso. Em frente o ilhéu do Bugio emergindo das ondas,e ao fundo e à dir. a linha recortada da serra de Sintra com as casinhas de Cascais e Oeiras no primeiro plano,esparsas num verde amarelado.
Primitivamente isto foi um grupo de barracas que os pescadores aqui ergueram neste esplêndido sítio de pesca,à boca da barra,a dois passos do grande consumidor. As suas casas de tecto palhiço têm um ar ainda mais primitivo que os palheiros de Mira ou Costa Nova. Quatro tábuas e um tecto de colmo negro com remendos deitados cada ano; alguns reluzem e conservam ainda as espigas debulhadas no painço. No imenso areal,o barco da duna,próprio para a arrebentação,de proa e popa erguidas para o céu."
RAUL BRANDÃO
Guia de Portugal I
Generalidades Lisboa e Arredores
Raúl Proença
1924
Apresentação e Notas de
Sant'anna Dionísio
Fundação Calouste Gulbenkian
1991
barcos com crescentos e alguns pescadores remendando as redes. Nem um penedo. Areia e céu,mar e céu. Dum lado o formidável paredão vermelho,a pique,desmaiando pouco a pouco,até morrer pelo mar dentro todo roxo,no cabo Espichel. Do outro o mar azul metendo-se ,num jorro enorme,pela ampla barra de Lisboa,deslumbrante e majestoso. Em frente o ilhéu do Bugio emergindo das ondas,e ao fundo e à dir. a linha recortada da serra de Sintra com as casinhas de Cascais e Oeiras no primeiro plano,esparsas num verde amarelado.
Primitivamente isto foi um grupo de barracas que os pescadores aqui ergueram neste esplêndido sítio de pesca,à boca da barra,a dois passos do grande consumidor. As suas casas de tecto palhiço têm um ar ainda mais primitivo que os palheiros de Mira ou Costa Nova. Quatro tábuas e um tecto de colmo negro com remendos deitados cada ano; alguns reluzem e conservam ainda as espigas debulhadas no painço. No imenso areal,o barco da duna,próprio para a arrebentação,de proa e popa erguidas para o céu."
RAUL BRANDÃO
Guia de Portugal I
Generalidades Lisboa e Arredores
Raúl Proença
1924
Apresentação e Notas de
Sant'anna Dionísio
Fundação Calouste Gulbenkian
1991
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