O que por ali havia ,de confortar olhos e alma. Parque frondoso,recantos misteriosos,a portentosa catedral,igrejas várias,ruas de remota traça,largos,onde, à noite,o silêncio falava. Não fora para isso que ele pusera as já cansadas pernas ao caminho. Seria muito melhor ter ficado lá em casa,a ver televisão,sobretudo,os jogos de futebol,e,claro,as telenovelas dos seus encantos. Queria ele lá saber de coisas que não entravam nas conversas com os amigos. E,além disso,coisas velhas,a cheirar a mofo.
O que o movera,o que o fazia andar alvoroçado,logo que chegara,quase não sabendo para onde se voltar,fora, simplesmente,a comidinha. Mas o trabalhão que aquilo lhe dava,ainda que o não sentisse,pois fazia-o por gosto. É que ele não abancava em qualquer mesa. Só depois de uma aturada investigação é que se decidia.
E assim permaneceu,nunca se deixando levar por algumas lembranças. Os outros que se divertissem lá à sua maneira,e que lhes fizesse bom proveito.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
quinta-feira, 1 de julho de 2010
PEDRO ÁLVARES CABRAL DESCOBRE O BRASIL
A PROPÓSITO DO DODÓ OU UMA MESA REDONDA
Os portugueses estão,seguramente,entre os últimos ocidentais que conviveram com o dodó. E isto,porque foram os primeiros a pôr pé,nos começos do século dezasseis, na ilha onde ele vivia. Ah esses portugueses valentes,que estiveram em quase toda a parte,antes de muitos outros. Até se deram ao luxo de dispensar ofertas. Batessem a outra porta. Um nunca mais acabar de feitos. Era para ter ficado derreado,de tanto vasculhar.
Com tudo isto relacionado,contou alguém uma história também de espantar,como tantas outras. O barquinho era como os demais,uma casquinha de noz. Lá partiu,lá foi pelo caminho do costume,já muito sabido,lá chegou à Índia,lá foi ao Japão. Aí parou um pouco,a pensar. Volto para trás,como tantos,que a família está lá à espera e raladinha de cuidados e de saudades, lavada em lágrimas,que a gente nunca mais chega? E se eu imitasse o Magalhães,não pelos mesmos sítios,que estou cá muito para cima? Sim,se eu o imitasse? Nem é tarde,nem é cedo. É já,pois pode ser que me arrependa.
E lá foi,Pacífico acima,meteu-se pelo estreito de Bering ,bordejou toda a Sibéria,espreitando aqui e ali,talvez para as embocaduras do Lena,do Jenissei,do Obi,passou ao largo da Lapónia,acompanhou a costa da Noruega,enfiando-se por um ou outro fiorde,atravessou o Mar do Norte,foi dizendo adeus há Albion,à França,à Espanha e,finalmente,veio bater às portas do Porto. Teria sido assim? Foi muito capaz de ser. Para o que eles fizeram,era isto uma brincadeira de criança.
Era,de facto,para ter ficado exausto. Agora,façam vocês o resto,os espanhóis,os holandeses,os ingleses,os franceses,os belgas. Agora,vou dormir,que bem mereço. E isto tudo com pouco mais de um milhão de lusos. Merecia a soneca e muito mais. Pode ser que, um dia,receba o prémio. Quem sabe? Talvez um Quinto Império,que não o de Vieira ou de Pessoa,um mais ajustado às necessidades de hoje e de amanhã,um Quinto Império que não fosse Império,mas a casa comum,de uma família unida,à volta da mesma mesa,uma mesa redonda...
Com tudo isto relacionado,contou alguém uma história também de espantar,como tantas outras. O barquinho era como os demais,uma casquinha de noz. Lá partiu,lá foi pelo caminho do costume,já muito sabido,lá chegou à Índia,lá foi ao Japão. Aí parou um pouco,a pensar. Volto para trás,como tantos,que a família está lá à espera e raladinha de cuidados e de saudades, lavada em lágrimas,que a gente nunca mais chega? E se eu imitasse o Magalhães,não pelos mesmos sítios,que estou cá muito para cima? Sim,se eu o imitasse? Nem é tarde,nem é cedo. É já,pois pode ser que me arrependa.
E lá foi,Pacífico acima,meteu-se pelo estreito de Bering ,bordejou toda a Sibéria,espreitando aqui e ali,talvez para as embocaduras do Lena,do Jenissei,do Obi,passou ao largo da Lapónia,acompanhou a costa da Noruega,enfiando-se por um ou outro fiorde,atravessou o Mar do Norte,foi dizendo adeus há Albion,à França,à Espanha e,finalmente,veio bater às portas do Porto. Teria sido assim? Foi muito capaz de ser. Para o que eles fizeram,era isto uma brincadeira de criança.
Era,de facto,para ter ficado exausto. Agora,façam vocês o resto,os espanhóis,os holandeses,os ingleses,os franceses,os belgas. Agora,vou dormir,que bem mereço. E isto tudo com pouco mais de um milhão de lusos. Merecia a soneca e muito mais. Pode ser que, um dia,receba o prémio. Quem sabe? Talvez um Quinto Império,que não o de Vieira ou de Pessoa,um mais ajustado às necessidades de hoje e de amanhã,um Quinto Império que não fosse Império,mas a casa comum,de uma família unida,à volta da mesma mesa,uma mesa redonda...
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